TESTE DE SCHILLER (TESTE DO IODO)
- Liga Acadêmica de Análises Clínicas UFC
- 14 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
Informações ao paciente:
Amostra:
Epitélio do colo uterino
Preparo pré-coleta:
Antes do exame, a paciente deve ser esclarecida e tranquilizada quanto ao procedimento e, além disso, ela deve preencher um formulário de consentimento por escrito.
A paciente deve evitar relações sexuais, utilizar cremes ou medicamentos intravaginais ao menos 48 horas antes da realização do exame
Ademais, a paciente não pode realizar o exame caso esteja menstruada, sendo ideal realizar a análise na fase intermediária do ciclo menstrual.
É preciso a paciente informar ao profissional quais medicamentos está usando, o histórico de doenças e se estiver grávida.
Interpretação básica com valores de referência:Interpretação básica com valores de referência:
Epitélio do colo do útero | Coloração | Indica | Ilustração |
Teste de iodo negativo (Schiller positivo) | Amarelo-mostarda e com bordas bem delimitadas | Lesão atípica | ![]() |
Teste de iodo positivo (Schiller negativo) | Acastanhado escuro | Situação normal, sem lesão | ![]() |
Informações ao profissional de saúde:
Técnicas utilizadas:
De início, aplica-se uma solução de soro fisiológico diretamente ao colo uterino, espalhando-o com algodão por meio de uma pinça de Cherron. Isso é feito para limpar o local e permitir uma melhor visualização e confiança na análise, removendo muco, secreções ou outros fatores que podem interferir na coloração
Em sequência, é aplicada a solução de Lugol (iodo iodetado) na região do colo uterino e vagina, sendo espalhado igualmente com um algodão e por meio da pinça de Cherron.
Por fim, é analisado o colo e a vagina para identificar a coloração, caso fique com um aspecto de marrom escurecido, indica que não há lesões atípicas e por isso é um quadro saudável, o teste de Schiller é negativo. Porém, se a coloração assume um tom amarelo-palha com bordas bem marcadas, indica que há lesões atípicas, o teste de Schiller é, então, positivo.
Interferentes:
A intensidade da coloração adquirida pela cérvix no teste de Schiller normal pode ser variável em função da quantidade de glicogênio existente no epitélio. A exemplo, mulheres em menopausa, em razão do déficit de estrógeno e perda das camadas superficiais do endotélio, tem um menor nível de glicogênio (composto o qual reage com o lugol), levando a uma coloração mais tênue.
Um fenômeno semelhante ocorre nos processos inflamatórios do colo uterino, dependendo da intensidade do mesmo, zona de epitelização imatura, erosão e pseudo erosão, cisto de Naboth, endometriose, ulceração, necrose, colpites intensas, presença de sangue, os quais geram o falso positivo.
Ademais, o teste de Schiller é contra indicado em pacientes que tenham alergia a iodo, o que provoca uma reação inflamatória no colo do útero e inibe a análise precisa do quadro além de comprometer a saúde da paciente.
Interpretação rebuscada:
O teste de Schiller (teste de iodo) se baseia na afinidade do composto de iodo (Lugol) pela estrutura molecular do glicogênio intracelular, sendo este o marcador indireto da maturação do epitélio escamoso. Nesse âmbito, a intensidade da coloração adquirida pelo teste pode ser variável em função da quantidade de glicogênio no epitélio, a exemplo, ao redor do orifício externo cervical, o epitélio glandular ou colunar apresenta tonalidade alaranjada e bordas menos precisas, já que as células possuem pouca quantidade de glicogênio.
Desse modo, o teste de Schiller não é patognomônico de áreas displasia ou câncer, ele apenas correlaciona áreas impregnadas pelo iodo que devem ser checadas pela colposcopia em razão de serem suspeitas de anormalidade.
Por tais razões, o teste de Schiller sempre deve estar associado com a citologia oncótica, visando diminuir o índice de falsos negativos. Desse modo, o teste do iodo é geralmente usado como contra prova, complementar ao exame citopatológico Papanicolau, podendo ser seguido por biópsia se houver áreas suspeitas.
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