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CETONAS

  • Foto do escritor: Liga Acadêmica de Análises Clínicas UFC
    Liga Acadêmica de Análises Clínicas UFC
  • 14 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

1.  Informações ao paciente:

  • Amostra:

Urina coletada recentemente

  • Preparo pré-coleta:

O exame de cetonas na urina geralmente não exige jejum, a não ser que solicitado pelo laboratório ou médico para fins específicos (como estudo metabólico).

Em relação às pacientes mulheres, o ideal é não fazer a coleta durante a menstruação para não interferir nos resultados.

A pedido médico, o exame pode ser feito em amostra de urina de 24 horas. Nesse caso, o paciente precisa retirar os frascos e instruções necessárias no laboratório.

Amostras não colhidas no laboratório devem ser entregues em até 3 horas após a coleta, se mantido em temperatura ambiente, ou 6 horas, se refrigerado.


  • Interpretação básica com valores de referência:


Resultado em cruzes

Resultado em mg/dL

Traços

<5

+

<15

++

<50

+++

<150

Fonte: Bioquímica Clínica para o Laboratório - Princípios e Interpretações. 5. ed.

  • Negativo (desejável): Ausência de cetonas detectáveis.

  • Entre (Traços) a (+)/(0,5 a 1,5 mmol/L): Podem ser frutos naturais dos processos fisiológicos, como em jejum prolongado, dieta cetogênica, exercícios intensos ou vômitos ocasionais.

  • (++) a (+++)/(4 a 8 mmol/L): Alerta para possível descompensação metabólica, como em diabetes mellitus descompensado (cetoacidose diabética).

  • (++++)/(≥16 mmol/L): Sugere cetoacidose grave e risco iminente, especialmente em diabéticos tipo 1.


2. Informações ao profissional de saúde:

  • Técnicas utilizadas: 

É feito por meio da Fita Reagente, a qual se baseia na reação do nitroprussiato, que em um meio alcalino, há a reação do acetoacetato com o nitroprussiato de sódio, produzindo uma mudança da cor bege para roxa. Caso haja a adição de glicina, a acetona também é detectada.


  • Interferentes:

As principais causas para um teste de corpos cetônicos falso-negativo são coleta e manuseio impróprios da amostra ou armazenamento inadequado das fitas reagentes. 

Como o acetoacetato pode ser quebrado por bactérias e a acetona evapora rapidamente na temperatura ambiente, as amostras devem ser testadas logo após a coleta ou refrigeradas.

Os principais corpos cetônicos presentes na urina são o ácido hidroxibutírico (78%), o acetoacetato (20%) e a acetona (2%), produzidos quando as gorduras são metabolizadas para produção de energia. A presença dessas substâncias na urina pode decorrer de condições benignas, como jejum prolongado, dieta para perda de peso, estado febril, exercícios extenuantes.

A presença de pigmentos, drogas ou outras substâncias que provoquem alteração forte da cor da urina pode causar problemas na leitura do resultado dos corpos cetônicos. Ele pode tanto ser falsamente interpretado como positivo quanto mascarar uma reação verdadeiramente positiva, que seria interpretada como negativa.

Resultado levemente positivo pode ser observado em urinas muito concentradas ou com grandes quantidades de metabólitos de levodopa.

Componentes contendo grupos sulfidrilas, como o mesna (ácido 2-mercaptoetanosulfônico), acetilcisteína e d-penicilamina, pode dar uma intensa cor vermelha, mas que reduz de intensidade ou desaparece em pouco tempo. Isso faz com que essa interferência seja mais marcante na automatização, na qual a leitura é mais rápida.

Reações falso-positivas também são devidas a fármacos como l-dopa, metildopa, 8-hidroxiquinolina e fenolftaleínas. Reações falso-negativas ocorrem devido à ultrapassagem da linearidade da reação. Diluições de amostras com resultados muito elevados podem ser necessárias para verificar o valor real. 

  • Interpretação rebuscada:

As cetonas são formadas por três substâncias: acetoacetato, β-hidroxibutirato e acetona. A excessiva formação desses compostos por distúrbios no metabolismo dos carboidratos e lipídios provoca o aumento na concentração sanguínea (cetonemia) com a consequente excreção urinária (cetonúria). Ocorre redução das cetonas por volatilização em urinas não analisadas logo após a coleta e/ou não refrigeradas. 


3. Referências bibliográficas:

FLEURY. Manual de exames laboratoriais. São Paulo, 2024. Disponível em: https://www.fleury.com.br/medico/exames/corpos-cetonicos-urina. Acesso em: 26 maio 2025.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/ MEDICINA LABORATORIAL (SBPC/ML). Recomendações da SBPC/ML: boas práticas em laboratórios clínicos. São Paulo: SBPC/ML, 2020. Disponível em: https://bibliotecasbpc.org.br/pags/view.archive.php?ID=2762 PATH=pdf.  Acesso em: 26 maio 2025.

MOTTA, Valter. Bioquímica Clínica para o Laboratório - Princípios e Interpretações. 5. ed. Rio de Janeiro: MedBook Editora, 2009. E-book. p.249. ISBN 9786557830260. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786557830260/. Acesso em: 26 mai. 2025.

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